O que você precisa saber: um topo de linha de três a cinco anos atrás ainda pode ter mais câmera, tela e armazenamento que um intermediário novo. O que decide se ele vale a pena é outra coisa: se ainda recebe atualização. Dos seis topos antigos deste guia, só o iPhone 13 Pro e o Xiaomi 13T Pro seguem com suporte garantido em 2026.
Abre qualquer site de usados e repara: um Galaxy S21 Ultra aparece pelo mesmo preço de um Galaxy A57 lacrado. A ficha do velho tem zoom de 10x, tela QHD e foco a laser. A do novo, não.
Parece decisão fácil. Não é.
Ficha técnica mostra o que o celular sabe fazer. Não mostra quanto tempo ele ainda vai durar com segurança, nem em que estado está a bateria que vem dentro dele. Este guia separa as duas coisas.
Onde o topo de linha antigo ainda ganha
Os exemplos são seis topos de linha lançados entre 2020 e 2023, comparados com o que as mesmas marcas vendem hoje numa faixa de preço parecida.
Zoom de verdade. É a maior perda dos celulares atuais de preço médio. O Galaxy S21 Ultra tem lentes ópticas de 3x e 10x, o Galaxy S20 FE tem 3x, o iPhone 13 Pro tem 3x e o Xiaomi 13T Pro tem 2x. Galaxy A57, Galaxy A17 5G, iPhone 17e e Redmi Note 15 Pro 5G não têm teleobjetiva: o zoom deles é recorte da imagem, que perde detalhe rápido.
Tela. O iPhone 13 Pro já tinha 120 Hz; o iPhone 17e continua em 60 Hz. O S20 FE tinha 120 Hz; o A17 5G tem 90 Hz. E o realme GT 2 Pro e o S21 Ultra tinham resolução QHD+, acima do Full HD+ dos intermediários.
Armazenamento rápido. O Xiaomi 13T Pro usa UFS 4.0; o Redmi Note 15 Pro 5G, vendido hoje, usa UFS 2.2. Traduzindo: instalar app, abrir galeria cheia e salvar vídeo longo leva mais tempo no novo. O guia sobre quanta memória o celular precisa explica por que isso pesa no dia a dia.
Vídeo. O 13T Pro e o realme GT 2 Pro gravam em 8K. O Redmi Note 15 Pro 5G vai até 4K, e o realme 16 5G para no Full HD.
Extras que sumiram. Entrada de fone de 3,5 mm (ROG Phone 6), suporte à S Pen (S21 Ultra), sensor LiDAR (iPhone 13 Pro) e carregamento sem fio (S20 FE) quase não aparecem mais nessa faixa de preço.
Os seis confrontos, lado a lado e com as fichas na tela, estão no vídeo do canal:
Onde o intermediário novo ganha
Atualização. É o ponto que vira o jogo. O Galaxy A17 5G tem seis anos de atualizações prometidos pela Samsung. Já vários dos topos antigos chegaram ao fim do suporte, como mostra a tabela mais abaixo.
Recursos de IA. O iPhone 13 Pro recebe o iOS 27, mas fica sem Apple Intelligence, que exige chip mais novo. O iPhone 17e, com o A19, tem.
Bateria zerada e garantia. Celular novo sai da caixa com bateria em 100% de saúde, nota fiscal e garantia de fábrica. No usado, a bateria já tem anos de ciclos, e qualquer defeito é problema seu.
Temperatura. Alguns chips topo de linha antigos esquentam bastante. O Snapdragon 8 Gen 1, do realme GT 2 Pro, ficou conhecido por isso. Os chips atuais de preço médio são mais modestos, mas costumam aquecer menos.
A situação de cada topo antigo em 2026
| Modelo | Atualizações | Vale em 2026? |
|---|---|---|
| iPhone 13 Pro (2021) | Recebe o iOS 27, sem Apple Intelligence | Sim, se a bateria estiver boa |
| Xiaomi 13T Pro (2023) | Quatro versões do Android e segurança até 2028 | Sim, a melhor aposta da lista |
| Galaxy S21 Ultra (2021) | Suporte encerrado: o patch de janeiro de 2026 deve ter sido o último | Só para quem prioriza o zoom e aceita o risco |
| realme GT 2 Pro (2022) | Promessa de quatro anos de segurança, que termina por volta de 2026 | Com cautela |
| ROG Phone 6 (2022) | Suporte encerrado: a ASUS previa segurança até 2024 | Só como aparelho de jogo |
| Galaxy S20 FE 5G (2020) | Suporte encerrado em outubro de 2025 | Não vale mais |
Celular sem atualização continua ligando, tirando foto e abrindo WhatsApp. O problema é que as falhas de segurança descobertas daqui para frente não serão corrigidas. Para quem usa banco, Pix e e-mail no aparelho, isso conta.
Qual escolher, de acordo com o seu uso
- Fotografa muito, principalmente de longe (show, viagem, filho no palco): topo antigo com teleobjetiva. Xiaomi 13T Pro ou iPhone 13 Pro, que ainda são atualizados.
- Usa banco e Pix no celular e quer ficar quatro anos com ele: intermediário novo, com anos de atualização pela frente. As opções da Samsung estão em Galaxy A17, A26 ou A37: qual comprar.
- Joga muito: o ROG Phone 6 ainda roda melhor que muito gamer atual, mas sem suporte. Vale como segundo aparelho, só para jogo, sem conta de banco.
- Quer iPhone gastando pouco: o 13 Pro usado entrega tela e câmeras melhores; o 17e novo entrega bateria nova, garantia e Apple Intelligence. Vale ler também o que a Apple cortou no iPhone 16e, que seguiu a mesma receita.
- Não quer dor de cabeça com conserto: novo. Peça original de modelo descontinuado fica cara ou some.
Checklist de 5 minutos antes de comprar o usado
- Saúde da bateria. No iPhone, em Ajustes, Bateria. Abaixo de 80%, já conte com a troca no preço.
- Histórico de peças. No iPhone, em Ajustes, Geral, Sobre, aparece se tela, bateria ou câmera foram trocadas e se a peça é original.
- Data do último patch de segurança. No Android, em Configurações, Sobre o telefone, Informações do software. Se for antiga, o aparelho saiu do suporte.
- Tela. Abra uma imagem toda branca e outra cinza. Mancha ou “fantasma” de teclado indica tela AMOLED marcada.
- Todas as câmeras. Teste o zoom óptico, a ultrawide e o foco. É justamente o que você está pagando a mais.
Para não cair em aparelho adulterado, veja também como identificar celular falsificado ou recondicionado.
Então, antigo ou novo?
Se o topo antigo ainda recebe atualização e a bateria está boa, ele costuma entregar mais celular pelo mesmo dinheiro. Hoje, isso vale para o Xiaomi 13T Pro e para o iPhone 13 Pro.
Se o suporte acabou, a ficha bonita perde força. Aí o intermediário novo, com anos de atualização e garantia, é a compra mais segura, mesmo com menos câmera.
Ou seja: antes de olhar o zoom, olhe a data do último patch.